Os movimentos anti-indígenas além da Câmara

por Bárbara Roberto Estanislau 

Conjuntura indígena 2013-1b

Visões contrárias à política indigenista adotada pelo Brasil sempre existiram. Posições antiindígenas sempre foram mostradas no país, seja por meio da mídia, institucionalmente, com as mais variadas PECs, ou na prática, ao haver a redução da verba repassada à FUNAI, por exemplo. A novidade do momento é a formação de movimentos antiindígenas na sociedade civil, que se organizam e trabalham por meio de criação de informações em blogs, com o objetivo de gerar uma crise institucional. É o caso emblemático do blog que, ironicamente, se chama Questão Indígena.

O foco de ataque desses movimentos tem sido a Fundação Nacional do Índio – FUNAI, o órgão indigenista do Estado brasileiro. Assim, é o que possui maior poder político, dentre outras organizações, estas de caráter não institucional. A principal crítica feita em relação à FUNAI tem sido de fraude nas demarcações de terra indígena. Foi feito um pedido de CPI para investigar as demarcações de terras no Brasil que foi batizada como CPI da FUNAI, apesar de abranger também o INCRA, órgão responsável pela demarcação de terras quilombolas.

Uma das últimas novidades em maio do movimento antiindígena e do blog Questão Indígena em especial, mas que também saiu da Folha de São Paulo – o que nos leva a pensar na própria posição política deste que faz parte da “grande mídia”, foi a notícia de que a atual presidenta da FUNAI, Marta Azevedo, havia sido demitida do cargo. Essa notícia foi veiculada no dia 03 de maio, quando a presidenta se encontrava de licença saúde, o que fez com que as questões da FUNAI divulgadas no Diário Oficial da União estivessem em nome de uma presidenta substituta. Nenhum dos dois veículos de comunicação fez uma retratação subsequente: a Folha apenas divulgou duas reportagens no mesmo dia (10/05/2013) “A Presidente da FUNAI diz que não vai pedir demissão do cargo” e “Ministro da Justiça não garante permanência da presidente da FUNAI no cargo”, enquanto o blog Questão Indígena continuou o boato, afirmando o líder indígena Marcos Terena como o seguinte presidente, fato que gerou posicionamento do próprio indígena, contrário ao boato.

É interessante perceber que o movimento social antiindígena se construiu a posteriori do institucional, eleito nas últimas eleições. O poder sobre os meios de comunicação desses grupos se mostram superiores, ao conseguir chegar à Folha de São Paulo, enquanto as retratações, tanto em relação ao boato de queda da presidenta atual da FUNAI, quanto da própria CPI, se dão por meio de uma mídia de menor alcance populacional, seguido de manifestações de acadêmicos no facebook. É uma luta de mais de 500 anos e que com o passar do tempo vai ganhando contornos diferenciados onde se pensava que já se tinha visto de tudo.

Na Imprensa:

 

Bárbara Roberto Estanislau é mestranda do PPG em Demografia da UNICAMP e pesquisadora vinculada ao CPEI e ao NEPO / Texto apresentado no Encontro de Conjuntura Indígena do CPEI

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