Situações de Sobreposição no Pará

PA |Terras Indígenas no Baixo Tapajós (Prof.ª Dr.ª Edviges Ioris– UFSC)

Povos envolvidos: Munduruku, Tapajó, Tupayú, Borary, Arapium, Tupinambá, Maytapú, e Arara Vermelha.

Resumo do caso: Indígenas Borary, Arapium, Maytapu, Tapajó, Tupaiú, Jaraki, Tupinambá, Cara-Preta, Arara Vermelha, Kumaruara ou Mundurucu, cujos territórios sofrem sobreposição tanto de reservas ambientais quanto projetos de assentamentos agrários. Parte sofre sobreposição dos limites da Floresta Nacional do Tapajós (Flona Tapajós), criada em 1974, na margem direita do Rio Tapajós; e a Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns (Resex Tapajós-Arapiuns), criada em 1998, na margem esquerda. Outra parte, ao longo das nascentes e margem direita do rio Arapiuns, as terras dos indígenas sofrem sobreposição do assentamento agrário Gleba Nova Olinda, sob jurisdição do ITERPA, e Gleba Lago Grande, sob jurisdição do INCRA, na área denominada Gleba Lago Grande.

 

 

PA| Movimento Indígena na RESEX Tapajós-Arapiuns (Prof. Dr. Florêncio Vaz– UFOPA)

 

Povos envolvidos: Arapiun, Arara Vermelha, Cara Preta/Munduruku, Maytapu/Munduruku, Cumaruara, Tapajó, Tupaiu e Tupinambá. 

Resumo do caso: Trata-se de caso de sobreposição de Terra Indígena (TI) à Reserva Extrativista (Resex). Desde o início dos anos 2000 algumas comunidades da Resex Tapajós-Arapiuns passaram a se reconhecer como indígenas. Em algumas comunidades os moradores estão divididos entre ser indígenas ou não. Há uma organização indígena local que representa as 55 comunidades indígenas em todo o Baixo rio Tapajós e coordena o movimento indígena, que é o Conselho Indígenas dos rios Tapajós e Arapiuns (CITA); e há o Grupo Consciência Indígena (GCI), que incentiva os moradores a se reconhecerem como indígenas e reivindicar os seus direitos. A partir da divulgação de informações de que aquelas pessoas que não se consideravam indígenas teriam que sair da área com a demarcação de uma TI instaurou-se uma relação conflituosa entre as partes, e principalmente entre instituições que apoiam um e outro lado. Em alguns locais o conflito entre indígenas e não-indígenas colocou em termos identitários conflitos que já opunham antigas lideranças e grupos políticos.

 

PA | Terra Indígena Cobra Grande e Projeto de Assentamento Agroextrativista do Lago Grande (Ms. Leandro Mahalem – USP)

Povos envolvidos: Povos cujas trajetórias históricas estão associadas à circulação pela bacia do rio Arapiuns e adjacências. Envolve auto-identificações etnonímicas estão associadas a nomes como: Arapium, Tapajó, Jaraqui, Curuaí, Tapuia, Caboco e Branco.

Resumo do caso: As cinco comunidades aqui em relevo encontram-se em situação de sobreposição entre o Assentamento Lago Grande do Curuaí, convertido em Projeto Agroextrativista (PAE-Incra), e a Terra Indígena Cobra Grande (TI-Funai). Estas duas figuras para a regularização fundiária dividem as famílias e comunidades em duas facções. Uma abrange o conjunto dos segmentos que “fazem parte para os brancos”. Organizam-se em torno da Federação Agro-extrativista e do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR). A outra abrange o conjunto dos que “fazem parte para indígenas”. Envolve segmentos que assumiram diversos nomes étnicos – Arapium, Jaraqui, Tapajó, Curuaí – que se organizam em torno do Conselho Indígena Tapajós Arapiuns (CITA) e do Conselho Indígena da Terra Cobra Grande (Cointecog). Ao nos aproximarmos da divisão entre “índios” e “brancos” observamos que esta não constitui uma clivagem entre dois “blocos de população” distintos. A divisão em torno da Terra Indígena e do Assentamento tem sido esfriada nos últimos anos, em meio a processos de estabelecimento de diálogos e tratativas que envolvem o conjunto dos segmentos residenciais em torno de um “plano de bem viver” abrangente associado ao processo de demarcação da Terra Indígena Cobra Grande.

Anúncios
Publicado em Sobreposições Territoriais por José Maurício Arruti. Marque Link Permanente.

Sobre José Maurício Arruti

Historiador (UFF) e doutor em Antropologia (Museu Nacional- UFRJ), foi pesquisador do CEBRAP (2003-2006) e professor da PUC-Rio (2007-2011), enquanto também coordenava projetos de pesquisa, comunicação e advocacy da sociedade civil junto a quilombos (Koinonia 1999-2009). Atualmente é prof. do Departamento de Antropologia da UNICAMP, onde faz parte do Coletivo Quilombola e coordena o Centro de Pesquisa em Etnologia Indígena (CPEI). Meus textos: http://unicamp.academia.edu/JoséMaurícioArruti

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s